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Rosamund Clifford: a Rosa do rei Henrique II




A vida do rei Henrique II é uma das mais fascinantes de todos os reis Plantageneta, principalmente devido as mulheres a quem ele fora associado. Sabemos que uma dessas, Eleanor de Aquitânia, era uma figura enérgica e altamente política nas maquinações das cortes da França e na Inglaterra. A outra fora uma mulher que Henrique fizera o seu melhor para manter em segredo: "a justa" Rosamund Clifford.

Quem fora Rosamund? 
Seu pai era Walter Clifford, um nobre que ocupava uma casa fortificada no Vale Wye, onde as águas do rio Wye desembocava do País de Gales para a Inglaterra. Ele adotara o nome Clifford depois de tomar a propriedade do Castelo de Clifford. Ela nascera antes de 1150, exatamente quando, não se sabe, mas fora uma das pelo menos seis crianças. Diz-se que quando jovem fora enviada para Godstow, perto de Oxford, para ser ensinada pelas freiras, mas estudos modernos sugerem que sua única ligação com o local fora o seu sepultamento, uma vez que sua mãe possuía um jazigo lá.

Quando ela conhecera Henrique?
Fair Rosamund
John William Waterhouse, 1916
Public Domain
É possível que os dois tivessem se encontrado ainda jovens e que seu caso de amor começara antes de Henry tornar-se envolvido na política da França e da Inglaterra?Se a diferença de idade era de fato dez anos, parece improvável que os dois teriam se conhecido, visto que o rei nascera em 1133, sendo enviado de Anjou para Bristol em 1142. Isto pode até o colocar convenientemente perto do Castelo de Clifford nos pântanos galeses, mas Rosamund provavelmente nem havia sequer nascido. Henrique voltou para a Inglaterra em 1147 mas, novamente, a garota deveria ser uma criança pequena a aquela altura. Embora não haja uma data precisa de quando ela nasceu, foi dito em sua morte, em 1176,  não ter mais de trinta anos de idade, o que sugere uma data de nascimento de 1148 +/- 2 anos.Henrique nasceu em Le Mans, na França, tendo uma juventude bastante tumultuada. Era dito que ele possuia uma energia ilimitada, Herbert de Bosham até mesmo comparou-o com uma carruagem humana, metaforizando o habito de carregar tudo em suas costas. Era um homem rápido para explorar qualquer oportunidade dada e não perdeu tempo em 1152, ao tomar a mão de Eleanor de Aquitânia, uma vez que ela se divorciara do primeiro marido. Ele tinha apenas 19 anos de idade, sendo Eleanor onze anos mais velha que ele.
Assim, aceitando que é improvável que Henrique e Rosamund tenham se conhecido antes dele se casar com Eleanor, quando é que os dois amantes se cruzaram? Alguns relatos dizem que os dois se conheceram quando a rainha estava grávida do último filho do rei, João, em 1166. Henrique tinha em torno de trinta e três anos de idade e Rosamund vinte e três, e eles provavelmente teriam se conhecido próximo de Woodstock, durante confinamento de Eleanor, mas ainda há duvidas sobre a exata localização do encontro.
As ruínas da "casa" de Rosamund, no Blenheim's Great Park.

O relacionamento com o Rei
Acredita-se que Rosamund estava de passagem pelo palácio de Woodstock, quando Eleanor deu à luz a João, e que Henrique se apaixonou por ela durante a gravidez da rainha. Ainda existem aqueles que especulam que fora até mesmo uma das damas da corte, uma vez que seu nascimento não extremamente inferior.Henrique tomara durante muito tempo um cuidado imenso para manter Rosamund em segredo, e uma vez que até então havia mostrado pouca consideração por suas outras amantes, podemos supor que a jovem galesa significara muito mais que as outras para ele. A Rainha Eleanor, apos ter dado ao rei oito filhos, decidiu retornar a França, deixando o campo aberto para o caso entre Rosamund e Henrique florescer.Com certeza a ausência da Rainha havia facilitado o relacionamento de ambos. Dado o quanto Henrique viajava é extremamente provável que a jovem fazia parte de sua comitiva e talvez, neste ponto, o caso pode ter se tornado óbvio para todos.O rei criara uma casa para Rosamund na residência real em Woodstock. Não um palácio, mas uma casa para encontros. Anteriormente, é dito que já havia construído jardins para Eleanor ao redor da casa, completando a obra com um pavilhão e um labirinto. O labirinto tornou-se parte dos mitos e lendas que cercam Rosamund, sendo que provavelmente sequer existira, sendo fruto da mitologia ao confundido com o denso jardim. A lenda ainda diz que a propria Eleanor, numa crise de ciúmes, havia procurado a amante no labirinto, guiando-se através de um fio de seda e forçando-a a escolher os meios de sua própria morte: um punhal ou uma taça de veneno. Diz-se ainda que Rosamund escolheu veneno, mas a cena não passa de um mito. A única veracidade da história é provavelmente o fio de seda, mas que surge numa ocasião completamente diferente: o rei, após a sua morte, quis ter alguma ligação com o local de sepultamento da esposa, transferindo o padroado do convento de outro nobre para ele mesmo. Durante a cerimônia de transferência fora utilizado um pano de seda, mais tarde adaptado para um "fio de seda" nos relatos. Taí a relação de Rosamund com o tecido. 

Os filhos do casal 
Maude Fealy como Rosamund na peça Becket de 1905.
Não existe nenhuma evidencia ou relato de que eles tiveram filhos, abrindo possibilidades para o fato de ela nunca ter engravidado, ou ter perdido todas as supostas crianças, além da existencia de natimortos. Entretanto, não há nenhuma evidencia que um filho deles possa ter existido. Posteriormente, foi criada uma teoria em que dizia que Rosa era a mãe de Geoffrey Plantageneta, bastardo de Henrique que se tornara Arcebispo de York, ou de William Longspee, Conde de Salisbury, mas é impossivel ela ter gerado o primeiro, uma vez que eles apresentam pouca diferença de idade, e a maternidade de Salisbury era conhecidamente atribuída a dama Ida de Tosny.

Morte e sepultamento 
Rosamund morreu antes de seu trigésimo aniversário, em 1176. Sua morte é, como já comentamos acima, normalmente atribuída a Eleanor, entretanto, é completamente errônea. A primeira sugestão surge apenas no século 14, anos após sua morte e sugeria que ela havia simplesmente apenas esfaqueado Rosemund. A história aumentara na Renascença, ao incluírem a escolha entre veneno e a faca. A propaganda Vitoriana também é responsável pelo "renascimento" e reforço do mito, com um fundo machista e moralista, para "educar" as esposas, uma vez que coloca como vítima a submissa e injustiçada amante, em contraste a Eleanor, a monstruosa e assassina terrível, a esposa ciumenta. O recado dos homens para suas esposas então era: não sejam como Eleanor. 

Ao contrário do que dizem muitas historias sobre ela, não há evidencias que o rei tenha pago pelo seu sepultamento, uma vez que sua família já possuía um jazigo no convento de Godstow. Ele apenas se incluíra no patronato, como lemos anteriormente, embora isso tenha visto por muitos também como um agradecimento, uma vez que seu túmulo fora reposicionado em frente do grande altar, um local de honra. Infelizmente, 15 anos depois, o bispo Hugo de Lincoln fizera as freiras removerem o túmulo para fora da igreja, uma vez que era inapropriado uma "prostituta" para ser enterrada lá.
Seu túmulo então fora movido para a capela das freiras, onde fora visitado até destruído durante a dissolução dos Monastérios, por Henrique VIII. 

Fair Rosamund and Queen Eleanor by Frank Cadogan Cowper, 1920.

O legado de Rosamund Cliffort
Era dito que as cantigas e inscrições inglesas do latim, que fazem referencia ao latim do nome "Rosa Mundi" (rosa do mundo) ou "Rosa Mundi" (rosa pura), foram escritas para ela, entretanto, foram epítetos criados em homenagem a Virgem Maria. É provável que Rosamund Clifford fora nomeada (de forma criativa, uma vez que o nome não era tão popular assim na época) em honra da Virgem, e que as inscrições vieram da mesma fonte de cultura geral. 
Entretanto, é provável que, por outro lado, a flor galesa "Rosa Mundi" tenha sido batizada em sua homenagem, uma vez que sua lenda era extremamente popular na Idade Média. Talvez assim como os epítetos, tenham sido em homenagem da Virgem, mas uma vez que seu legado já era extremamente reconhecido na época, é justa tal atribuição. 

Sua história tornou-se uma lenda que sobrevivera a séculos, mesmo com escassas informações a seu respeito, o que atrai e aguça ainda mais o imaginário das pessoas.  Ela é lembrada na poesia e em escritos, sua suposta beleza inspiraram muitos pintores. Ela compartilha um lugar de visibilidade na história, como talvez a primeira impactante de muitas outras famosas amantes reais, tais como Alice Perrers ou Jane Shore. Elas permanecem enigmas, cercadas por mitos e lendas ao longo que suas histórias ainda são constantemente relatadas. 
  
Bibliografia: 
http://www.intriguing-history.com/fair-rosamund/
http://blog.oup.com/2014/09/eight-myths-fair-rosamund/
http://englishhistoryauthors.blogspot.com.br/2014/10/fair-rosamund-mistress-of-henry-ii.html



 

O Natal na corte do primeiro Rei Plantageneta


O Natal está chegando, e com ele, os presentes, músicas e festividades. Se você é daqueles que já detesta passar a ceia com a família, pense que poderia ser pior: imagine se fosse Henrique II e tivesse que celebrar com seus filhos que mais tarde se declararam abertamente em Guerra Civil contra você, seu Arcebispo/ex-melhor-amigo que estava sempre em pé de guerra, ou sua adorada esposa anos mais velha, que fizera questão de incentivar os filhos a tirarem a sua coroa. Sim, nessa fantástica data comemorativa, vamos mergulhar nos natais do século XII dos primogênitos da dinastia Plantageneta.

Arvores de Natal, decoração e...
Na corte do seculo XII, já havia no Salão Principal a tradicional decoração com pinheiros. Também poderia haver a presença de vegetais culturalmente Nórdicos e Celtas como hera, visco e azevinho, o segundo mais tarde banido pela Igreja uma vez que suas origens eram supostamente pagãs. O principal era a cabeça de Javali, que ficava em cima da mesa da alta nobreza, oferecida pelo chefe da mesa, ou seja, o rei.

Presentes...
Não haviam presentes. Estes só eram dados no dia do Ano Novo.

Diversão, comemoração e...
Deveres religiosos. Afinal, era o nascimento de Jesus Cristo a ser celebrado. Missas especiais e festivais eram obrigatórios. Mas além de tudo isso, também era chance de socializar. Enquanto a corte de Henrique II e Eleanor era mais elegante e com protocolo, a de seu filho, o Jovem Rei, era um tanto mais... descontraída. No seu primeiro Natal como chefe da mesa, por exemplo, ele decidira excluir todos os Williams da lista de convidados, simplesmente porque achava divertido o fato de este ser um nome muito popular. O resultado fora mais de 100 nobres excluídos da ceia, e seu pai descontente com a irresponsabilidade do filho. No ano seguinte, fora acusado pelos cronistas por ter convidado uma espécie de Bobo da Corte, que arrotava e soltava pum a mesa, além de outros 'mercenários, prostitutas e dançarinos'. Independente da veracidade do relato, é inegável que as ceias do Jovem Rei deveriam ser um tanto quanto animadas. 

Os Natais polêmicos e eternizados do primeiro rei Plantageneta:

O Natal de 1170 (e a ordem de assassinato de Thomas Becket).
Thomas Becket era na ocasião o Arcebispo de Canterbury, indicado pelo rei. Entretanto a relação entre eles esfriara com a dedicação do ex-chanceler ao cargo, e fora durante a noite de Natal de Bures, na França, que Henrique recebera a noticia que Thomas se recusava a quebrar a excomungação de alguns dos seus apoiadores. O resultado fora que o mal temperamento do rei o levou a soltar frases fortes e mal-entendidas (ou não), por seus cavalheiros, que interpretaram como um mandado para matar o antes tão fiel companheiro de seu monarca. Thomas Becket fora assasinado pelos mesmos e três anos mais tarde canonizado como São Thomas. Para a dor na consciência de Henrique. 

O Natal de 1171 (como um excomungado na Irlanda).
Após a polemica ordem papal, Henrique decidiu deixar Londres e viajar rumo a Irlanda, para lidar com alguns vassalos um tanto quanto rebeldes. Durante as comemorações de Natal os islandeses se escandalizaram com a quantidade de comida consumida pela sua corte e alguns pratos como cisnes e pavões, considerados nojentos para os vizinhos da Inglaterra.

O Natal de 1182 (com a família reunida, ou nem tanto).
Esse com certeza é o meu favorito. Apos os primeiros indícios de rebelião, Henrique convocou para a ceia seus filhos também Henrique (o Jovem Rei), Ricardo (Coração de Leão) e Geoffrey, conde da Bretanha. Eleanor, sua esposa, fora banida, estando presa devido influenciar seus filhos contra o pai, em Guerra Civil. Chamaram mais de cem cavaleiros e soldados para preencher o local da rainha.  

Tudo conspirava para um possível fracasso. Pra começar, o camareiro do rei, cuja função era lavar as mãos deste antes de jantar, ficou ofendidíssimo ao ver outro criado praticando a ação. Ficara tão nervoso e que avançara e arremessara a tina de água, tirando-a do alcance do empregado e do próprio rei, atraindo o olhar de centenas de pessoas. Ele fora afastado do cargo.

Poucas horas depois disso, William Marshal, importante cavaleiro do Jovem Rei decidira que aquela era a hora mais ideal para se importar publicamente com os rumores que circulavam entre um suposto caso envolvendo sua esposa e um campeão do Rei. Ele pedira para Henrique um combate contra este, para defender sua honra, mas o monarca, provavelmente muito ocupado com o clima péssimo que pairava sob sua família naquela ceia, mal deu-lhe atenção. Revoltado e ofendido, William deixou o banquete na metade, levando consigo toda sua comitiva. 

Uma coisa que não podemos mais duvidar, nessa altura do campeonato, é do talento de Henrique em cutucar ninho de vespas. Mais cedo, ele havia prometido a seu filho mais velho, o Jovem Rei, que este de fato herdaria a Inglaterra e a Bretanha. Por sua vez, Ricardo (o Coração de Leão), levaria consigo a Aquitânia de sua mãe, contanto que pagasse seus próprios encargos para o rei da França. Acontece que Henrique decidira incluir uma clausula no acordo durante o jantar, que previa o pagamento de taxas também para o próprio Jovem Rei. Ricardo não aceitara e se revoltara, deixando a corte de imediato enquanto jurava se preparar para futuras batalhas contra o pai.

Parece que não fora um Natal tão feliz assim.  

Bibliografia:
http://henrytheyoungking.blogspot.com.br/2012/12/henry-goes-christmasing.html
https://e-royalty.com/articles/christmas-with-the-plantagenets/


Eleanor da Aquitania: parte II



Para ler a Parte I, sobre a adolescência e infância de Eleanor como rainha da França, clique aqui. 

Parte II: rainha da Inglaterra, vida familiar, rebeldia e legado. 

"Ela era bonita, imponente, modesta, humilde e elegante" escreveram as freiras de Fontevrault em seu obituário na abadia: "uma rainha que ultrapassou quase todas as rainhas do mundo."

Rainha da Inglaterra
Pouco mais de dois meses depois da anulação de seu casamento, Eleanor casou-se de novo: desta vez com o duque de Anjou, Henrique, um membro da honrosa família Plantageneta. O avô dele fora rei da Inglaterra, Henrique I e sua mãe era a famosa Matilda, ex-imperatriz da Alemanha e da duquesa da Normandia. O casamento chocou o povo da França. Eleanor era 11 anos mais velha que Henrique (possuíam 30 e 19 anos) e dizia-se que ela havia sido a amante de Geoffrey de Anjou, o pai do noivo. Além disso, o jovem duque foi advertido para não dormir com a esposa de seu senhor, em referência ao rei Luís VII. No entanto, Eleanor tinha encontrado um homem que ela amava mais do que o ex-marido e  5 meses após seu segundo
Representada por Gleen Close em "The Lion in Winter"
casamento ela deu à luz um filho chamado William.
Criaram-se boatos de possíveis amantes, uma vez que já casara-se grávida de quatro meses, mas William morreu em 1156 e o assunto pareceu tornar-se esquecido. Um ano depois do nascimento de William, em 1154, ela deu a luz a outra criança: Henrique, em homenagem ao pai. Nesse mesmo ano, o rei Luís VII, ex de Eleanor, casou-se novamente com Constance de Castela, que lhe dera mais uma vez duas filhas: Marguerite e Anaïs. Depois de separados, as duas filhas de Eleanor, Marie e Alix, ficaram aos cuidados do pai, encontrando-se com a mãe apenas depois de anos. 1154 também marcou mais um grande evento na vida da nova duquesa de Anjou: seu marido tornou-se o rei Henrique II da Inglaterra, após o desastroso reinado do Rei Stephan. 
Era agora a rainha da Inglaterra.

Quando ela e Henrique deixaram a França até a Inglaterra, Eleanor encontrou Londres da mesma forma que
Gravura da rainha grávida.
Paris quando entrou pela primeira vez com a idade de 15: desastrosa. Como era um hábito da rainha estabelecer cultura para seus reinos, Henrique comemorou sua boa sorte
. Antes de seu casamento ele havia controlado Anjou e a Normandia, mas agora controlava não só a Inglaterra como também a Gasconha, Touraine, e a Aquitania. Embora ela fosse a proprietária legal e governadora da Aquitania, Henrique considerou o ducado parte de suas propriedades que agora eram maiores que a do rei da França.




O casal real teve muito trabalho. Sob o reinado do Rei Stephan, os barões ingleses haviam tomado o controle do rei fraco construindo castelos sem a autorização real, para criar formas que segurassem os vassalos para o serviço militar. O rei Henrique II derrubou esses castelos e configurou o serviço militar através de uma forma de tributação. Ele organizara os tribunais, e aos magistrados deu o poder de proferir decisões locais. O primeiro livro de leis jurídicas foi escrito e o julgamento por júri foi criado pela primeira vez desde a conquista normanda. Estas mudanças ajudaram a formar a história social da Inglaterra, entretanto, a Igreja não partilhava o entusiasmo de Henry e suas alterações. A fim de manter a Igreja feliz, Henrique nomeou Thomas à Becket, seu amigo e chanceler, ao cargo de arcebispo de Canterbury.


Entretanto, as tensões entre a igreja e o governo Inglês começaram a se formar. Henrique queria que os clérigos jurassem de modo que ficassem sob o controle da Coroa e não de Roma, mas estes recusavam. Em 1164, Thomas Becket deixou a Inglaterra para o continente, onde esperava conseguir o apoio do papa e do rei Luís VII. Henrique e Thomas eventualmente se reconciliaram em 1170, ganhando a guarda do príncipe de gales, o que desagradou Eleanor. Quando o pequeno Henrique foi coroado rei da Inglaterra com a idade de 15, (embora seu pai era ainda o governante) o rei estava estava profundamente ofendido com a influencia de Becket sobre o reino e seu filho. É dito que proferira: "Quem vai me livrar deste padre turbulento?" Quatro de seus cavaleiros aparentemente levaram a sério e viajaram para catedral de Canterbury em 29 de dezembro de 1170, assassinando Thomas à Becket enquanto ele celebrava a missa no altar.


O reinado de Eleanor:
Enquanto as ações de Henrique contra Becket e a Igreja causavam escândalo em toda a Europa, Eleanor começou a transformar a Inglaterra em uma corte ilustre e elegante. Introduzira modas, inúmeras formas de arte, maquiagem, poesia, e as lendas da França para a Inglaterra. Talvez o mais importante: trouxe a famosa música Aquitaniana para a ilha. Suas letras de amor eram famosas por serem os infames e ela educava o povo a cantar os caminhos sexuais escandalosos que faziam fama a Aquitania. Em 1168, quando a disputa entre Henrique e Thomas começou, Eleanor voltou para seu ducado a fim de controlar seus súditos inquietos. Os barões do reinado de seu pai estavam em guerra uns com os outros mais uma vez e Eleanor procurou devolver suas terras ao seu esplendor. Criou o tribunal em Poitiers e até mesmo reviu Petronilla e suas duas filhas, Marie e Alix, que deixara na França. No entanto, além de beleza e amor, a rainha tinha outras coisas a mente. 

Vida familiar: 
Além de Marie e Alix, filhas de do rei Luís VII da França, Eleanor teve mais oito filhos de Henrique II:1. William, 1153 (morto três depois do nascimento)2. Henrique, 1154 
O filho favorito de Eleanor.
3. Matilda, 11564. Ricardo (Coração de Leão), 11575. Geoffrey, 11586. Eleanor, 11627. Joan, 11658. João (Sem-terra), 1166William morreu aos 3 anos, em 1156. Henrique se casou com a filha de Luís VII com sua nova esposa, Constance de Castela, a pequena Marguerite, quatro anos mais jovem que ele e também meia-irmã de suas meias-irmãs. Matilda se casou com o duque da Saxônia e da Baviera, Henrique V, mais de 30 anos mais velho do que ela. Ricardo se casou com Berengária de Navarra, embora há teorias em que ele fosse homossexual. Eleanor se casou com o rei Alfonso VIII de Castela. Já Joan e João, ambos casaram duas vezes: Joan com o rei William da Sicília e, em seguida com o conde Raymond VI de Toulouse. João se casou com Isabel de Gloucester e Isabelle de Angouleme. O relacionamento entre Eleanor e Henrique era dita por ser muito áspera, em parte devido a influência sofrida por Thomas à Becket. Geoffrey tinha fama de ser difícil de lidar e o grande favorito de Eleanor era seu filho Ricardo.



Henrique e Eleanor inicialmente pareciam ser um casal amoroso, mas circulavam grandes boatos que não só o rei como também a rainha mantinha alguns amantes. Circulavam histórias que Henrique assediou a primeira
Eleanor confrantando Rosamund.
noiva de Ricardo, uma princesa francesa.
No entanto, sua amante mais famosa fora Rosamund Clifford: uma menina do interior e que parecia ser não muito culta, que era ostentada publicamente pelo rei. Eleanor ficou profundamente irritada com o affair, havendo boatos que ameaçou Rosamund ao dar-lhe de presente um veneno e um punhal, para que poupasse o seu trabalho. A amante morrera em 1177 e os rumores diziam que fora jogada de uma escada pela rainha, no entanto, historiados contemporâneos também acreditam que esta tenha morrido de causas naturais. Eleanor tentava manter sua vida pessoal o menos pública possível, entretanto, um homem que a acompanhou em uma viagem até Angers, chamado de Bernart de Ventadorn, despertou ciúme no rei, embora nada tenha sido provado.  
 

Rebelião e morte:

Em  "Robin Hood", 2011
Em 1173, a rebelião explodiu na Inglaterra. Eleanor e seus três filhos mais velhos: Henrique, Ricardo, e Geoffrey se rebelaram contra Henrique II. A rainha fora capturada vestindo roupas de homem e trancada em uma Torre durante 16 anos. Enquanto presa, outra guerra fora travada: João, único filho leal de Henrique também se voltou contra ele. Durante seu cativeiro perdera dois filhos: o primogênito Henrique fora morto em uma batalha no ano de 1183 e Geoffrey devido a lesões em Paris em 1186. Mas o ano de 1189 trouxe grandes mudanças: Eleanor fora libertada da prisão e Henrique II finalmente morrera. Ricardo, o filho favorito da rainha, tornou-se o rei Ricardo I. Este fora para uma cruzada como a relatada por sua mãe durante a infância, deixando-a como regente e dando a ela controle total sobre a Inglaterra e as províncias francesas além de afirmar que a sua palavra deveria ser lei. Sua regência fora fria e astuta: quando Ricardo fora capturado no Sacro Império Romano, ela levantou seu resgate e o libertou. Antes do retorno do rei, seu irmão João tentou usurpar o trono de sua mãe. Eleanor impediu seus avanços, forçando uma conciliação entre os irmãos.


Ricardo morreu em 1199, no mesmo ano que sua irmã Joan. João era agora proclamado rei da Inglaterra e sabiamente consultou sua mãe muitas vezes em questões de Estado. Ele publicamente a respeitava e ela apoiou-o contra seus inimigos. Embora agora com 77 anos, ela levou uma vida muito ativa e saudável. Viajava pessoalmente ao continente a fim de arranjar os casamentos de seus muitos neto, sendo em uma dessas viagens capturada pelo rei Filipe II da França, no ano de 1202, aprisionada em um castelo da região. João, inimigo declarado de Felipe II, libertou sua mãe. 
 

Dois anos mais tarde, em 1 de Abril, 1204, Eleanor morreu com a idade de 82 anos, na abadia de Fontevrault. Ela fora enterrada lá, entre o marido que sentira os mais diversos sentimentos, Henrique II, e seu filho Ricardo, que hoje em dia é lembrado como Richard le Couer de Lion, Ricardo Coração de Leão.

Legado:


Antes de seu nascimento, dizem que a vida de Eleanor havia sido profetizada: "A águia do vínculo quebrado se alegrará com o terceiro filhote". Eleanor era a águia, espalhando suas asas em toda a França e Europa; o vínculo quebrado a anulação de seu casamento com Luís e seu novo casamento com Henrique. O terceiro filhote fora atribuído a seu filho favorito, Ricardo. 
Eleanor sobreviveu a cinco de seus sete filhos com Henrique. Os únicos dois que sobreviveram a ela foram Eleanor, que morreu em 1214, e João, que morreu em 1216. Na época de sua morte, ela teve mais de 30 netos de seus dois casamentos (com Luís: 4 de Marie; com Henrique II: 1 de Henrique, 10 de Matilda, 12 de Eleanor, e 4 de Joan).
Abadia de Fontevrault, onde está enterrada.

Eleanor da Aquitania é considerada uma das governantes mais fascinantes e bem-sucedidas na história do mundo. Com apenas 15 anos ela se tornou a duquesa de Aquitania, uma das províncias mais cultivadas na Europa, rainha da França e posteriormente rainha da Inglaterra, ambos locais transformados por ela em centros de cultura europeus.Seus reinados impactaram a Europa vez que contribuíra para disseminar a arte no continente que tinha vivido na sombra escura da igreja durante séculos. Eleanor fora também uma criança notável. Em seu tempo, as meninas raramente eram educadas, aprendendo apenas a bordar e jogar damas. Já a rainha fora educada com diplomacia, arte, história e línguas, aprendendo a ler e escrever em francês, latim e langue d'oc, ou provençal, língua de sua mãe, além da não popular língua do Vale do Rio Loire, langue d'oeil. Ela podia identificar as constelações e sabia o básico de matemática, tendo seu conhecimento como inspiração a outras mulheres que ensejam ser fortes como ela. Um dos receios de educar uma mulher era que ela poderia se tornar mais esperta que seu marido ou escreveria histórias de amor e cartas, um passatempo considerado adúltero e pecador. No seu tempo, tornou-se uma patrona do aperfeiçoamento das lendas de Camelot
e Rei Arthur, sendo estas apenas algumas das muitas histórias escritas em sua corte que são recontadas hoje. Eleanor também tornara popular muitos alimentos franceses de sua preferencia, como Bouillabaisse, coq au vin, e omeletes que são consumidos hoje. Durante seu reinado iniciou-se a construção da catedral de Notre Dame e a população de Paris subiu para 200.000. Estudantes de todo o mundo reuniram-se para as universidades e escolas fundadas por esta magnífica rainha.

Os descendentes de Eleanor estiveram em grande parte dos tronos do continente, o que lhe rendeu o apelido de "avó da Europa" e ela é lembrada como uma figura muito interessante nas Cruzadas. A cultura por ela introduzida nos seus reinos quase um milênio atrás ainda perdura na atualidade e Eleanor vive no imaginário das pessoas como uma das governantes mais cruéis e amada de todos os tempos.

Bibliografia: 
Trechos traduzidos de http://royalwomen.tripod.com/id22.html 
http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Eleanor_of_Aquitaine
http://www.encyclopedia.com/topic/Eleanor_of_Aquitaine.aspx
http://www.histoire-en-questions.fr/personnages/alienor%20raymond.html
http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674242548